segunda-feira, 14 de março de 2022

Carta de um momento bom

Não sei como começar algo que me soa cliché, ainda mais sabendo como reagimos às ideias comuns para pessoas únicas, porém isso é para mim. Para você. Para nós.

Estava reparando na sensação pós corrida. Planejamentos pequenos, organizações iniciais, afago na pet. Eu não lembrava da última vez que sonhamos algo audacioso ou relativamente improvável, e eu entendo como as coisas foram se apagando por escolhas que fizemos sem notar. E tudo bem, sabe. Tudo bem se hoje você não conseguir sonhar, tudo bem se hoje você só fizer um check numa lista "mínima", que na verdade, não é mínima. Tudo bem se você só sobreviver a esse dia como se fosse o último, pois ele não vai ser. 

Essa semana tivemos dias que começaram de maneira espetacular e que parece que a luz foi roubada. Algumas coisas você não controla. Vale lembrar do quanto a podação rola solta quando escolhemos fazer coisas com perfeição ao invés de só fazer. Vale lembrar também que tivemos dias que começaram péssimos e você foi dormir toda boba e leve. Não desista do seu dia quando as coisas começarem ruins. E tudo bem se você escolher só deitar e amassar a nuvenzinha. Não se culpe tanto, não se cobre tanto. Estamos indo bem.

Se permita cair de vez em quando. Sabe aqueles dias que o elefante senta na nossa cara? Então. Faz o mínimo e, se tiver como, faz um chá. Abraça um urso de pelúcia, coloca uma música ruim que te abraça, conversa com alguém. É sério. Conversa. Eu sei que é difícil você chegar e falar com alguém sobre você, cara, eu sei de verdade, mas conversa. Por mais que ninguém vá, de fato, tirar a gente do buraco, algumas pessoas jogam as cordinhas e nem percebem. Se permita ser vulnerável. Se permita chamar alguém para fazer qualquer coisa que você queira, ou que vocês queiram. Se permita mandar áudios estilo podcast sobre assuntos que você gosta, porque eles são tão válidos quanto discussões sobre a traição - ou não - de Capitu.

Se defenda. Seus gostos, seus planos, aquelas partes suas que você evita jogar na roda. Não precisa jogar na roda mas, caso surja, as defenda. Cada parte de você, cada vírgula, cada característica que você tem e não se orgulha de ter. São elas que nos trás um pouco de chão e um pouco de perspectiva quando não aguentamos mais amassar coisas e dormir a tarde toda. E tudo bem se você tiver um estalo e quiser gravar um CD de música folk. E tanto faz se vai ficar ruim ou se você vai virar a descoberta do ano no Spotify. O foco não é esse. O foco é você fazer, mesmo que fique com uma qualidade questionável, você fez. Nós fizemos.

E sempre que der, corra. Se não der, alongue, medite. E se der muito, faça tudo. Nós sabemos que o foco da corrida acaba virando outro, só que olha a gente aqui num momento bom, planejando o dia e colocando água no congelador, né.

Merecemos as coisas boas tanto quanto qualquer outra pessoa. Lembra de você mesma falando que todo mundo merece o melhor, que todo mundo merece tirar os filtros, que todo mundo merece ser um ser completo e se orgulhar disso.

Spoiler: também somos todo mundo. 

Estamos indo bem.

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