sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Independente do que for, que seja leve

Começo de ano rola toda aquela coisa de querer tudo e se organizar para termos tudo. Acho bem legal esse otimismo, mas eu não tenho. Ok, posso ter perdido, pode ter acabado ou sei lá, sei que eu não faço mais planos que me trazer mais dor de cabeça do que vontade de tentar.

Hoje eu levo algumas ideias físicas para o lado mental. Por exemplo: se eu calço 36, convém eu pegar um número que não encaixa e forçar uma adaptação? Então qual o sentido de ficar me adaptando em relações que eu não me encaixo? Qual o sentido de fazer algo que, além de não me deixar bem, me faz não querer ver o final?

 Para mim, nenhum.

A percepção de que eu preciso estar sempre atenta para continuar é assustadora. É assustador perceber que se eu fizer tudo que eu sinto vontade, prisão seria só o primeiro passo de um caminho que termina com uma frase clichê em um pedaço de mármore. Não deveria ser dolorido me manter sã. Se eu estou sempre buscando relações fáceis, por que a relação comigo mesma anda tão difícil?

Eu acredito de mais nessas sensações que sentimos quando conhecemo alguém e parece que já nos conhecemos há anos. Eu confio na leveza. Confio nessa coisa de que ser leve e bom vale mais do que o tempo do convívio em si, e ninguém nunca me convenceu do contrário.

Não mereço menos do que algo leve, que me faz querer mais quando o assunto acaba ou quando a porta se fecha.


*

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Não desista

Me assusto com o som da porta
Enquanto vejo os riscos de raios que marcam o céu
Por um tempo curto a vida se mostra menor
Mas eu não sei esconder minha preocupação
Nem meu medo de talvez não te ouvir mais.

Esse peso que você tanto carrega
Deveria não ser. Deveria não ter.
A leveza vendida não é tão inatingível assim
Porém, para mim, ela é disfarçada de vontade
De estar, de ser, de querer.

Eu entendo alguém não ter e entendo esse cansaço
Que é mais que físico, que está impregnado nas noites comuns
Disfarçado de insônia, de vício, de fome.
Com aquela sensação que se a morte chegar, o cansaço vai embora.
E talvez vá. Quem já passou nunca revelou o segredo do depois.

Mas, eu imploro, com toda a minha alma dividida
Com toda essa culpa que fez do meu peito uma casa para morar
Que você não caia nessa ideia de que a morte seja leve
Porque talvez a ideia seja essa
Enganar pessoas bagunçadas que amam de mais.

Eu te peço, embaixo dessa poeira de dores
De um ano pesado, cruel e egoísta
Que você continue.
Por você

Pelos risos que você ama
Pela lista vazia que ainda não fez
Pelos filmes que ainda não saíram
Pelos livros que ainda não escreveu
Por qualquer cheiro, por qualquer cabelo

Por favor, meu amor.
Não desista.


*