sexta-feira, 22 de junho de 2018

“Quero não desmanchar com seu sorriso bobo” – E eu continuo errando nos mesmos espaços

Expectativa se tornou um monstro do armário, que se cria sozinho e, antes que a gente perceba, invade nossas cobertas nas noites de frio. Enquanto eu continuo minha árdua busca para aceitar meus excessos, eu dou de cara com aquilo que sobrou de tudo que achei que poderia se tornar. Aquele começo que tinha tudo para ser “fofo” e “eterno”. E ingênuo.

Assim, sem aspas.

Seu endereço de e-mail aparece como o primeiro de uma lista de sugestões. Não me foquei nos outros endereços, já que esse e-mail é para um endereço novo, mas o seu não era para ser uma sugestão. Não me lembro da última vez que ele foi usado nem da última vez que me preocupei se o veria na minha caixa de entrada. Logo, não faz sentido ver a porta da sua vida ali, como o número um. O que nos traz a uma questão um tanto quanto importante: por que eu me importo?

Talvez porque você me mostrou um medo que eu não sabia que eu tinha e, nesse momento, com um monstro crescendo sozinho dentro do armário, eu não sei como reagir. Agora eu estou aqui, martelando as situações e pensando o quanto eu fugi de todas elas e o quanto eu aprendi a fugir delas por medo de um final parecido.

Nada contra, mas esse final eu não quero repetir.

Mas ainda tem um monstro em crescimento no armário, louco para invadir a minha cama e roubar a minha coberta. Basicamente, eu não sei para onde fugir. Não sei como fugir e, sinceramente, não sei se eu quero fugir.

Todo meu excesso mostra que, talvez, o problema não seja meu excesso. Talvez o problema seja eu querer vazar em mentes que se predestinaram, defendendo ideias quadradas de situações negativas.

É o direito de cada um, mas eu estou sempre aqui, me desmanchando por um novo sorriso bobo e errando nos mesmo espaços.

Foi tudo que sobrou.

Que bom.

*

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Se vale? Sem dúvidas

Bato as unhas na mesa enquanto meu eu traumatizado me observa.

- Você sabe que está fazendo de novo, né?

Paro os dedos e respiro fundo.

- Não estou fazendo de novo. Eu só acho que eu mereço mais. Que nós duas merecemos mais.

Encaro meu lado traumatizado e me lembro exatamente da chuva de sensações que começou a dividir todos os meus sentimentos em pessoas diferentes. Estico a mão, como quem oferece colo, e abro um sorriso. Ela me entrega a ponta dos dedos como quem não quer devolver um livro bom que emprestou da biblioteca.

- Você me garante que vai ser diferente?
- Eu não posso fazer isso.
- Então como eu vou saber...?
- Não vai. Não vamos.

Em um movimento súbito, a ponta dos seus dedos não estão mais encostando minha mão. 

- Não sei se eu quero isso.
- Por que não?

Eu sei a resposta, mas dizem que dizer as coisas ajudam em sua solução.

- Você não se lembra como foi da última vez?

E como me lembro. Das músicas, dos cheiros, das sensações de alívio e paz que há muito tempo não sentia. Até não ser mais assim.

- E você ainda quer tentar de novo?
- Eu não quero não tentar. Eu não quero ficar nessa sensação de inércia. Eu não quero pensar que eu poderia ter tentado. Eu não quero fugir, e sei que não mereço mais fugir.

Não merecemos.

Do seu rosto escorre uma lágrima enquanto eu me aproximo e me vejo no espelho. O eu traumatizado ainda sou eu, assim como o eu apavorado, assim como o eu cheio de caixas de traumas abertas espalhadas pela sala mental. Minha mão, que antes batucava a parte externa da pia do banheiro, agora enxuga uma lágrima de pavor de sair da zona de conforto. 

- Tudo bem. Vamos tentar.

*