sábado, 14 de janeiro de 2023

Sobre ter alguém inevitável

    Enquanto eu reassisto Sex And The City, eu me pego passando as mesmas raivas de 15 anos atrás. E, sim, esse texto contém spoilers, e não só dessa série.

    A toxidade da relação da Carrie com o Big me dá coceira. O fato dela querer o mínimo e ele ficar sempre no banho maria do "o que você quiser", sempre deixando entrelinhas o quanto ele não se importa em demonstrar que as coisas dela são tão importantes quanto as dele. E o que me quebra é a forma que eles sempre voltam. 

    Sempre aquele excesso. Aquele tesão em excesso, aquela saudade em excesso, aquele amor em excesso. 

    "Amor".

    Isso me lembra uma fala da Piper para a Alex, em Orange Is The New Black: "Por que você é sempre tão inevitável para mim?". A primeira vez que eu vi essa cena, ela não bateu da forma que bate agora, porque hoje eu só consigo ver o quanto isso é ruim, preso, torto. Errado. Onde que insistir em alguém que só faz mal para duas pessoas é algo romântico? E será que existe mesmo alguém "inevitável"?

    Depois de uma pesquisa rápida, teve o consenso de que existem situações mal resolvidas. Que pessoas inevitáveis são aquelas que poderiam ter tido algo só que, por alguma razão, as coisas desandaram e tudo virou uma fanfic que só existe dentro da cabeça de alguém. Eu discordo? De maneira alguma. Eu sou a pessoa inevitável de alguém? Queria não querer ser.

    Fiquei martelando o tanto de arte que existe por aí, inclusive por aqui. O quanto eu quis apagar e desaparecer com tudo isso que eu sinto, como tudo isso que eu criei. Me vi catando o que sobrou para tentar ser alguém para mim mesma, já que eu cometi o erro de achar que eu seria alguém inteira para você. 

    "Por que você é sempre tão inevitável para mim?"


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