domingo, 21 de junho de 2020

Têm horas que é só isso mesmo

Tem um episódio de uma série que eu gosto que um dos personagens principais comenta que as músicas que mais criamos identidade são as músicas que mais ouvimos na adolescência. São essas que viram abraço quando as coisas não andam muito bem. Bom, eu e meu pezinho no maravilhoso e chorão rock anos 2000 não podemos negar que, talvez, essa afirmação seja real. 

É engraçado você pensar em como as coisas acabam durando anos mesmo quando você só fez aquilo porque quis. Eu não me programei para gostar de rock 2000 e também não imaginei que isso pudesse durar para sempre. 

Nessa onda de pensamento, eu caio nas minhas relações. Relações que eu não escolhi criar, que eu não escolhi manter. Que eu não imaginei, quando estávamos no começo, que se tornariam parte de mim mesma e que me ajudariam a manter a minha base, seja ela qual for, da forma que for. Acho que eu sinto que eu fui criada para tentar manter as coisas por mais tempo possível, para aproveitarmos o crescimento pessoal de forma unida e podermos olhar para trás com orgulho de toda a história construída de forma leve e toda aquela coisa que todo mundo ouve o tempo todo. 

Mas, é simples. As vezes a gente não quer. E tudo bem.

Hoje eu não acredito mais na cultura do desapego. Eu acredito em pessoas que não se sentem prontas, seja lá para o que for, pois tiveram traumas não curados enquanto, do outro lado, temos traumas diferentes de pessoas sem empatias que não fazem o mínimo para entender um mundo fora do próprio umbigo. Se é egoísta você não entender que ninguém obrigado a seguir um único ritmo? Egoísmo é pouco.

Acho engraçado como a maioria das pessoas não entendem que apego e afeto são coisas diferentes e que é possível ter, sim, apenas um. 

Irônico. Como se toda forma de afeto terminasse em apego. Como se quem escolhesse demonstrar afeto estivesse escolhendo, em conjunto, se apegar. 

O mundo é muito mais que isso. O ser humano é muito mais que isso. As pessoas são muito mais que isso. Resumir escolhas individuais referentes a pessoas diferentes baseadas em uma experiência de vida demonstra apenas o quanto nossa saúde mental é baseada em sermos completos apenas com alguém.

Quando Vinicius de Moraes comenta que ninguém é feliz sozinho, você realmente achou que ele estava falando só de um par romântico?

A vida é mais que isso e algumas relações são só isso mesmo.

E tudo bem.



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