Me lembrei de outras vezes que a vida adulta me engoliu e eu
fui deixando as veias artísticas na gaveta por um tempo relativamente extenso.
Não sei exatamente se existe um culpado além de mim mesma ou se as coisas saem
do controle de vez em quando e eu preciso só esperar todo esse “muito” passar.
Bom, ele não passou. E nem vai. E talvez não passe nunca.
Toda data próxima de aniversário acaba remetendo aos sonhos
e vontades que eu tinha antes de perceber que eu não tinha controle total sobre
a minha vida nem sobre as minhas emoções. E é sempre aquela coisa, sabe. As
expectativas são sempre só sonhos que eu sempre falei em voz alta e que viraram
vários nada no final das coisas. Eu não sei até onde a culpa é minha, até onde
eu me tornei uma pessoa mole ou até onde existe um limite sobre esse controle
que eu nunca tive.
Fiquei pensando sobre aquela frase e sobre como eu achei
incrível ela notar que eu não escrevia há um tempo. Em como eu também não imaginava
que eu poderia deitar com ela na minha cama e conversar sobre as situações
sufocantes quem têm nos amassado como um rolo compressor.
Existe um nível enorme de frustração em mim. Tem a lista
imaginária que eu nunca cumpri, o monte de coisas que eu não comprei, várias
coisas que eu não consolidei. Tem a mulher de vermelho comigo o tempo todo - e
isso é assunto para outro texto -, têm as dores no corpo, a falta de mudanças
que eu sempre achei que eu precisava para me sentir viva. E eu nem sei o que
isso significa de verdade.
Uma coisa em mim sempre me acalma quando eu lembro que
ninguém é ensinado a ser adulto. A mudar, a errar, a se frustrar. E quando as
coisas acontecem, a gente só se vira. Com um alto número de bebedores de
cervejas baratas, de cigarros comuns, de remédios com receita. De vez em
quando, tudo junto; em algumas pessoas, um de três. Isso sempre me lembra da
surpresa das pessoas quando eu comento que o vício geral não é o meu, mas isso
não quer dizer que eu não tenha nenhum.
Talvez eu tenha sumido por falta de organização, falta de
meditação, falta de corrida na rua. Ausência de bom senso, de cabeça no lugar,
de gratidão.
As coisas estão do avesso e não tem muita coisa que eu
consiga fazer para resolver os problemas do meu mundo, até porque a vida é
andar sobre uma eterna corda bamba, é sobre aprender a se equilibrar.
Sim, gatinha. Eu vou.
*
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