A pia com louça, o chão com mancha, a panela com 4 grãos de arroz na geladeira. Eu já conheço meu histórico de procrastinação e sei o peso que o ano novo tem no meu emocional, então amanhã é o dia. Ou deveria ser.
A série já vista milhões de vezes reprisa todas as temporadas e é surreal o quanto eu lembro de cada episódio. Do assassino, da forma que foi descoberta, de algumas falas específicas. Lembro da minha primeira reação à alguns episódios, de quando assisti pela primeira vez. Convenhamos, é bem contraditória a forma que minha memória funciona, porque jamais que eu escolheria decorar uma fala de um episódio específico ao invés de saber de cor o aniversário de alguém.
Lembrei que eu coloquei sua data de aniversário no meu bloco de notas uns anos atrás. Lembrei de você.
Lavei a louça.
Dentre as coisas que eu não queria ter lembrando, veio a memória de quando raspei o cabelo pela primeira vez. A sensação de passar a mão e sentir um tapetinho. Um ex aluno uma vez me disse que raspar a cabeça vira um vício, que você gosta da sensação de passar a mão na cabeça e sentir só aquele tapete baixo, que você gosta da praticidade, do gasto reduzido do xampu. E ele nem está errado.
Lembrei da primeira vez que você passou a mão no meu cabelo estilo tapetinho.
O lixo. Tem que tirar o lixo também. E tem muito ovo aqui, dá para fazer um bolo amanhã.
Senti meu novo tapetinho, dessa vez do outro lado. É bom hidratar o que sobrou também. Fora que toda vez que eu estralo o pescoço, eu sinto esse nervo, ou sei lá o que, inchado, do lado esquerdo. Ah, é! Yoga! E o plano de dar uma secada na barriga até o final de Janeiro. Mas, nossa, o leite condensado de hoje não parece bem um plano para secar a barriga, não.
Pudim. Melhor eu fazer um pudim.
Uma vez eu te disse que faria pudim e você disse que achava legal mas que era apaixonada por bolo de fubá e eu não quis tentar por medo de errar a receita. Eu deveria ter tentado...
Duas receitas. É melhor duas receitas.
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