Não sei a diferença.
Quando buscamos sobre vícios, a frase que sempre surge é "um viciado é sempre um viciado. Ele só muda o vício" e isso é algo que eu sempre vi na prática como é real. Ex fumantes que trocaram os cigarros por um esporte, um hobby, uma nova relação. Pessoas que descontam as frustrações no corpo, através de um número altíssimo de treinamentos e excesso de preocupação com o diâmetro do braço.
Várias vezes eu ouvi no meu ciclo de amigos que eles queriam ser aquelas pessoas que descontam as frustrações na academia ao invés de afundar a cara em uma bebida estranha com uma cor duvidosa. E eu entendo, sabe. De verdade. Eu entendo a ideia falsa de que descontar as frustrações em algo saudável seja o sonho de todas as pessoas com vícios comuns.
Mas até onde esse hábito pode se tornar um vício também?
Lembro de um dia que um homem aleatório - que eu acredito que estava bêbado - nos perguntou nosso hobby e logo em seguida olhou para mim e disse "Ela é seu hobby".
Hoje eu estou aqui buscando outro. Hobby, hábito, vício. Uma maneira de não passar pelos dias só permitindo que eles passem por cima de mim.
Da lista de coisas que eu prometi não voltar, o que mais me pesa é essa vontade de colocar a cara em uma bebida estranha com uma cor duvidosa. Ou dormir por 12 horas. Porque eu me tornei exatamente a pessoa que desconta as frustrações em um hábito saudável, até não ser mais. Porque, né, o excesso é tão problemático quanto a falta. E isso serve para tudo.
Porque entre um fígado valendo 16 reais no mercado negro e uma lista enorme de lesões das costas, adivinha qual é melhor?
Pois é. Nenhum.
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