quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Sobre amar como um idiota

O clichê do menino não feio e romântico é a cereja do bolo que faltava na minha identificação com românticos imparáveis. O "vamos fazer o máximo enquanto estamos fisicamente juntos, já que as noites são legais e pode ser, não sei, quem sabe, que você vá embora de manhã. Mas não se preocupa que eu vou te amar como um idiota ama."

E antes de mais nada, eu sou apaixonada por essa música por eu ser a personificação desse ser idiota e sem amor próprio aí.

Mas que eu cansei disso, é inegável.

Isso já foi citado em outros textos, em outros momentos - mais otimistas ou não -, porém eu não aguento mais ser a pessoa sem meio termo. A pessoa que fica lutando para esconder as bordas, que acha o cúmulo alguém bater no peito e falar que "se eu me ferir no processo/Eu me resolvo/Tudo certo".

Meu amor, chega aqui mais perto. E me ensina.

Me ensina a ser esse idiota que ama sem fronteiras e ainda ter essa certeza de que vai se resolver em qualquer sombra, porque a última coisa que eu tenho é certeza de que eu me resolvo numa sombra qualquer. Me ensina a aproveitar as chances da vida sem eu querer fazer uma música ou uma rima ruim culpando meu lado poeta. Me ensina a equilibrar o meu lado carente com o meu lado racional, que hoje parece que resolveu tretar com todos os meus Divertidamentes e sair pela fábrica dos sonhos tirando as roupas das pessoas e me fazendo acordar toda suada pensando em coisas que nunca cogitei.

Me ensina, ó, menino com o nome de três letras, a amar como um idiota e continuar levantando e fazendo rimas, e fazendo músicas.

Hoje eu percebi que eu não tenho simplesmente medo de tentar de novo. Eu tenho medo de tentar com alguém que não ame como eu amo. Que me ache muito - mesmo que não fale - e que me faça sentir que talvez fosse melhor se eu fosse menos, como se eu não soubesse. Eu tenho medo de permitir depositar essa energia em situações que, mesmo que eu me sinta bem e que eu queira repetir, são momentâneas e que, quando o pensamento voa, me fazem questionar até onde eu estou repetindo padrões.

A gente não deixa de ser idiota. Ou se alguém deixou de ser, me ensina.

Só me ensina...

*




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