Nesse mar infinito de esteriótipos, nada mais comum e absurdo do que termos preguiça de iniciarmos uma conexão com uma pessoa nova, que veio sabe-se lá de onde. E eu entendo, sabe, principalmente pelo meu lado gato escaldado que já viu os planos irem para a casa que rima com baralho, depois de anos tirando todos os meus filtros e me permitindo ser e falar sobre todos os gostos peculiares que eu enterrei durante esses anos. Eu entendo de verdade. Mas quantas pessoas maravilhosas eu tenho deixado de conhecer de verdade por não me permitir? Ou talvez por não sentir que eu seja legal o suficiente. Por sentir que sou aqueles livros com histórias clichês e fracas que serão esquecidos daqui 5 anos, com aquela sensação de "surto coletivo".
Só eu sei o quanto de vezes que me sinto um surto coletivo.
Existe sempre aquela frase super falada em entrevistas de emprego que deixa todo mundo nervoso e, mesmo pensando muito sobre aquilo, as respostas nunca são as mesmas. Pelo menos as minhas nunca são. Às vezes eu simplesmente ignoro que eu escrevo há uns 20 anos, que eu tenho uma empatia que me coloca em terceiro lugar, que eu tenho um conhecimento sobre futebol que ultrapassa o nível do comum. Que eu tenho um orgulho absurdo de falar quantos instrumentos eu tenho e toco, que eu odeio errar - principalmente com pessoas -, que eu parei de beber aos 22. Dependendo da situação, algumas coisas pulam da minha cara, tipo a minha falta de habilidade motora, por exemplo. É, não tem muito o que eu possa fazer sobre isso.
E me sinto, de novo, um surto coletivo.
Umas carascterísticas legaiszinhas - que dão aquela mexida quando você as vê listadas - , um senso de humor geralmente ok, um alto conhecimento vago sobre tudo e pronto. Aquela pessoa super gente boa que sabe conversar superficialmente sobre qualquer coisa, te ajuda em qualquer ideia, que é quase pau pra toda obra. Quase, literalmente quase.
Quase porque tem aquele ponto lá, né, que algumas pessoas sabem mas que acaba sendo vergonhoso quando você pára para pensar. Ou quase porque você não consegue só estar ali, né, já que tudo é passível de rima, passível de história. Quase porque não sei se muita gente aguenta, ou se interessa, pelas peculiaridades que sustentam a minha essência, pelo meu gosto cada vez mais eclético para música. Pela minha escolha cada vez mais certeira de que eu não aceito mais uma relação meia boca, que eu não faço a menor questão de ser reconhecida como pessoa e, aparentemente, me desligando cada vez mais da ideia de ser conhecida de verdade por alguém.
Talvez por eu me sentir, com cada vez mais frequência, um surto coletivo. Talvez porque eu não consigo me ver da forma que as pessoas me vêem, talvez porque eu acabo vendo as rachaduras - e as músicas da Glória Groove - de maneira muito clara quando eu estou dentro da casa, como se eu fosse só isso.
Ninguém é só isso.
Mas então por que eu não me permito ser conhecida por pessoas que tudo que eu mais queria era fazer um texto da sinceridade e mandar em um e-mail de bom dia?
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