Não é surpresa o amor que eu tenho pela história de Um Dia. Tanto que encontrei esse texto e esse texto que está absurdamente lotado de spoilers (com uma escrita questionável). E, caso você não tenha visto o filme ou lido o livro, já deixo o spoiler: aqui terá.
Todas as vezes que eu revejo essa história, eu me encanto com a leveza das falas, com o peso das relações, com uma calma estranha de que tudo bem eu estar onde estou hoje. Sinto como se a minha lista de coisas para fazer fosse cuidadosamente revisada e a ansiedade, guardada. Sinto um atropelo da vida através de tapas de luva e quase 2h de vida adulta comum. Até porque quem nunca aceitou um relacionamento meia boca com alguém ok que está aqui, disponível? Quem nunca foi engolido pelas contas e guardou o sonho na gaveta dos próximos anos por não ser algo possível ou rentável no momento?
Todas as vezes eu sou inundada pela sensatez de que tudo bem se manter onde tem dinheiro e ser engolido pela vida de vez em quando.
O que me traz a Emma. Nossa, como eu amo essa personagem. E as falas, as ideias, a representatividade de um ser humano cheio de sonhos que escolheu pagar as contas por mais anos do que o nosso eu adolescente aceitaria. Ela é o exemplo clássico de que a arte te busca em qualquer lugar que você se esconder, e ela te acha, porque ela sempre te acha. É exatamente a escritora brega que eu sempre fui, a apaixonada tosca que faz rima ruim o tempo todo.
Emma é o clichê de artista apaixonado que vive na minha alma de brasileira brega que pira nas rimas questionáveis do folk nacional. A escritora que eu preciso voltar a ser antes que eu seja engolida, de novo, pelo molde do encaixe capitalista, sabe. A pessoa dos diários. Essas coisas sempre me fazem pensar se eu aguentaria ter algo com alguém como eu e a resposta foi tão clara que chegou a doer.
Chocando um total de zero pessoas, eu sempre fui a artista emocionada da situação. E, assim, o ponto não é ser contra ou a favor disso, porém eu fiquei um pouco desapontada de perceber que, se juntar as minhas rimas, talvez dê mesmo um álbum brega que tenha o ukulele como instrumento principal enquanto eu acho o auge alguém falar "você pode falar comigo". Eu nunca sinto que posso. Eu nunca acredito nos sinais, eu nunca permito, eu nunca tento.
Acho que chegou num ponto em que eu não consigo mais dizer se isso é ruim. Não que eu não tenha opinião sobre isso, eu tenho, só que parece tudo bem você esperar sempre menos que o mínimo por medo de replays ruins.
Meu eu apaixonada pela Emma Morley acha um absurdo. E esse meu eu não está totalmente errada.
Acho que chega um momento que a gente aceita o ok, porque talvez o ok não seja ruim. Seja só ok. Meio morno, meio sonso, só que aqui. Morno e ok, porém aqui. Aquele ponto em que a presença e a segurança pesam mais do que a vontade daquela coisa que rasga a gente, sabe. Aquele nervosismo, aquelas trocas excessivas de roupas, a repassada de perfume. Aquele sorriso brega de coisa comum e tal. É, acho que eu não cresci tanto.
Foda-se o ok.
Eu quero aquilo que rasga, que me faz trocar de roupa, repassar o perfume. Permitir que minha Emma interior venha com vontade e eu que lute. Eu quero mais do que a segurança.
Eu quero a segurança que me rasga. E não há relação morna que me muda de ideia.
*
Nenhum comentário:
Postar um comentário