quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Sobre admitir - ou ficar doente

- Você precisa admitir isso para você, senão você vai ficar doente.
- Mas eu vou fazer o quê com isso?
- Depois você vê isso. Aceita que aquilo aconteceu, senão você vai ficar doente, e depois você vê. 

    E nem foi a minha dama de vermelho.

    Eu já tremia, chorava, negava. Na verdade, a negação anda por aqui já tem um tempo, e também é inegável que a minha saúde não anda das melhores.

    Deitei para dormir e não consegui. Esse diálogo curto ficou preso na minha cabeça, talvez por saber que ela tem razão. Fiquei relembrando alguns diálogos, algumas falas específicas, algumas coisas muito pequenas que eu me arrependo absurdamente por ter feito. Questionei, muitas vezes, se eu estava criando fanfics ou se ela tinha razão e eu só tinha essas duas opções.

    Eu não sei dizer se eu tenho só essas duas opções, mas eu sinto que ficar doente vai sempre estar na lista de coisas que vão acontecer sem a menor sombra de dúvidas. Ou seja, eu posso me manter em negação até essa adrenalina toda passar e ficar doente durante o processo ou eu posso admitir isso tudo para mim e ficar doente durante o processo.

    Às vezes eu odeio me conhecer tanto. Às vezes eu odeio ter dúvidas sobre tantas coisas. Às vezes eu simplesmente queria não sentir nada.

    Só que não faz diferença eu querer ou não querer sentir ou não sentir alguma coisa, porque está aqui, tudo aqui. Uma coisa que me queima, que me atropela, que faz eu me senti tanto e, ao mesmo tempo, alguém tão pequeno que não consegue controlar nem a organização do quarto. Alguém que sabe que merece tanto e que não sabe lidar com o mínimo.

- Eu queria conversar sobre isso com ela...
- Eu sei que queria, e eu não consigo nem imaginar o quanto você queria.
- Muito. Eu queria muito...
- Admite que foi de verdade, e que talvez continue sendo de verdade, e a gente parte daí.


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