sexta-feira, 18 de julho de 2025

Sobre coisas - todas elas e nem uma delas

     Ouço Happy Home nesse momento (não sei se já foi falado em algum texto anterior mas o nome do blog mudou por causa dessa música, por aqui ser "meu lar feliz"). Às vezes tenho meus cinco minutos e sinto como se eu tivesse 20 e poucos e estivesse ouvindo a música pela primeira vez. Talvez, atualmente, tenho pensado muito sobre sentir algumas coisas pela primeira vez ou lembrando da sensação do novo, do senti algo novo, do sentir de novo.

Algumas coisas eu sinto muita falta de sentir de novo, outras eu estou lembrando como é, e se pudesse escolher não sentir, escolheria.

    Talvez por traumas, talvez por preguiça da construção, talvez por não querer trazer alguém para essa casa mental toda valorizada - pero no mucho - e organizada - pero tan poco -. Ou talvez por um ego enorme de quem não quer sair da rotina dentro da própria cabeça e se abrir a uma lista aí de possibilidades. Só que algo em mim quer.

Acho que aqui que entra o problema.

    Às vezes eu queria mostrar umas coisas aleatórias, tipo o repertório na parede do quarto ou a gravata do Batman, para eu sentir que era óbvio que eu jamais seria uma opção ou, muito menos, uma escolha. Uma certeza negativa seria exatamente a melhor coisa para eu não precisar pegar todos os meus medos e adestrá-los nem precisar lidar com todos os meus excessos que destruíram - e sobraram - em quase todas as minhas relações, sejam elas românticas ou não.

    Uma enorme parte minha tem medo do eu desequilibrado que habita esse mesmo corpo, que se protege, se sustém, se blinda. Um ataque sempre pronto que não precisa nem de muito esforço para colocar meu lado adulto e maduro numa gavetinha enquanto destrói toda a organização dos livros da sala de controle. Será que vale?

    Como é difícil viver com amor e coragem.




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