segunda-feira, 22 de junho de 2026

Sobre vampiros e um dia ruim

Toca Happy Home na minha cabeça e eu canto sem notar. Meu olho enche de lágrimas no único estrofe que eu sei inteiro - o primeiro:

"Na minha casa feliz eu mal respiro
Nos braços do meu amor eu encontro o aconchego
E há um céu que está mudando e um pássaro que canta
Eu, nenhuma vez, na minha vida rebelde, estava na direção de ir embora.".

Bom, várias vezes eu estive na direção de ir embora. Não sei muito bem de onde nem muito bem do quê. Convenhamos que eventualmente eu fui na direção de ir embora de alguém, mas não dessa vez. Acho assustador querer uma lista tão grande de coisas tão pequenas e não conseguir nada disso, sabe. Não conseguir um plano simples, um sonho leve, uma ideia duvidosa que me faça olhar para um futuro nada distante e perceber possibilidade de realização.

Nada. Uma lista cheia de coisa nenhuma. Isso porque eu adoro listas.

Sentada no sofá e apoiada na mesa de centro eu me vejo compartilhando uma música de aconchego com meu próprio aconchego. Minha própria vampira presente e constante que me lembra que pessoas não são só feitas de luz e coisas boas, mesmo ela sendo a própria Alice Cullen quando passa pelo sol, em todos os sentidos. E às vezes eu não sei como falar o tanto de coisas que eu quero ao mesmo tempo, e não quero por motivos reais, e desisto por cansaço de dias ruins. Como hoje.

Como dias que são noite.

Eu não sei muito bem como falar que a minha cabeça cria muitas coisas sem sentido quando a luz da sala queima, como eu quero desistir de mim mesma quando meu corpo entrega ou como eu preciso de um conjunto de pessoas caçando assassinos em série do nada porque eu perdi o controle de todas as coisas pequenas. Eu não sei como falar que tem dias que eu me sinto absurdamente pequena, porque eu não sei muito bem se eu quero me tornar um brilho negativo na vida de alguém que brilha tanto - não acredito que isso exista porque, bom, preto é ausência de todas as cores e não acho que tem como você tirar menos do que tudo.

Mas tem dias que são noites, e eu não sei muito bem o que sobra nas noites desses dias. O que a gente faz quando as coisas escurecem no meio da luz?

Bom, eu não sei. 



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