domingo, 9 de setembro de 2018

Tem dia que cansa

A cabeça martela desde as 11h da manhã enquanto o ouvido e uma parte do pescoço seguem o mesmo caminho. Tensão muscular se torna algo natural, levando em conta a saúde e suas subdivisões, mas parece que tem dias que o suportável sai dos trilhos, dando espaço para aquela sensação persistente de nada que me leva a lugar nenhum.

Coisas legais não são tão mais legais, as dores se unem me transformando em um ser que só se mexe da cintura para baixo, a moleza vem. Não é sono, não é preguiça, não é sensação de domingo. Essa coisa que vem é exatamente aquela coisa que nunca solta minha mão durante uma crise de ansiedade, é exatamente aquela coisa que eu deixei se aproximar quando a culpa ditava as regras. Porém, hoje eu sinto que eu fiz tudo certo. 

Bom, pelo jeito eu não fiz.

Vejo minha lista de possíveis opções e sinto uma coisa aqui dizendo que não, já que chamar alguém para conversar é um egoísmo tremendo, levando em conta que é final de domingo. Medicamentos? Talvez, mas não quero. Filme? Série? Música? Chorar? Esperar passar?

Nesse momento, eu não amo meus amores como sempre. Ler tem sido um porre, tocar tem me lembrado daquela marca no pulso, escrever joga na minha cara todos os fracassos. Fora as relações que eu desisti de ter com pessoas que eu tenho certeza que são muito melhores do que eu. Então, o que tem sobrado mesmo?

Uma escritora que eu gosto muito disse uma vez que aquilo que nos leva para fora da vida nos lembra como é bom viver. Tipo quando você faz algo que você gosta, entretanto não faz há um tempo. É fora da caixa, não segue o fluxo comum e você lembra quão foda é você se manter em uma esfera gigante flutuante no espaço.

Parece bem legal. 

Só que tem dia que cansa, sabe. Tem dia que cansa para caralho. Tem dia que a ideia de que o dia passa é quase reconfortante, mas vem o desespero de saber que tem outro amanhã e você não sabe como vai lidar. Se vai lidar.

Expectativas? Nenhuma. Conclusões? Nenhuma.

As vezes a gente só cansa mesmo.

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