As coisas espalhadas em cima da cama é uma prévia de como as coisas estão na minha cabeça. Eu não sei mais o que é meu, o que é seu, o que é nosso. Eu me cobro por não ter espaço enquanto, ao mesmo tempo, eu tiro uma blusa limpa da gaveta e penduro atrás da porta. Acho que eu estou naquele momento onde as coisas pequenas não têm tanto sentido.
Talvez nem as grandes, se eu parar para pesar.
Existe uma marca na minha mão, algumas fotos na parede, uns lembretes irritantes de quando eu acreditei numas coisas que, sinceramente. Eu entendo que essa voz aqui dentro me cobra de maneira exagerada, mas têm dias que compaixão está em falta. Porque, né, é aquela coisa. Eu nunca fui todo mundo e não é agora que eu me permito ser, só que é agora que eu deveria me perdoar por todas as decisões que, à principio, pareciam justas e com altas doses de discernimento.
Nem todas eram.
E tudo bem. Na teoria, tudo bem.
Na prática, existe uma mudança que envolve o meu lugar favorito no mundo. Envolve um nível de organização que eu não tenho, uma energia que eu preciso buscar, uma base interna que eu preciso fortalecer.
Nunca achei tão difícil ser presente como eu tenho achado hoje. Nunca achei tão difícil resolver conflitos com objetos de pano como eu tenho achado hoje. A ânsia de mudança é falsa e superficial. É uma mentira bonita disfarçada de liberdade de escolha, só que tudo que eu mais queria era poder me sentir eu mesma em algo que eu não queria sentir que me fez desaparecer aos poucos.
E o que eu faço com a bagunça? Pois é...
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