sexta-feira, 29 de abril de 2022

Sobre mudanças e aceitar coisas inaceitáveis

    De vez em quando eu me coloco em situações questionáveis, e eu nem falei sobre minha vida amorosa. Nessa semana eu decidi, porque sim, mudar. Entendo que levando em conta a situação do brasileiro e da pessoa que voz fala, individualmente, não tem como fazer muita coisa, então eu fiz o que dava. Acordei virada, virando coisas e reorganizando uma lista enorme de coisas que uma enorme parte minha se arrependeu de ter começado. 

    Fuçando e encontrando um alto nível de aleatoriedades, encontrei um fone. Na hora não conseguia testar, então deixei num lugar separado, de fácil acesso. E uma parte minha se perguntou, sabe, por que eu compraria um outro fone se aquele funcionasse e, ao mesmo tempo, por que eu guardaria um fone que não funciona. Hoje eu lembrei do fone e, bom, meu eu do passado parecia aceitar coisas bem pequenas mesmo, pois o fone só funcionava de um lado.

    Fiquei me perguntando que parte de mim achou que ter um fone pela metade era melhor do que nenhum e comparei essa situação com todas as outras. Relacionamentos, amizades, trabalho. O único perdoável para mim seria usar essa lógica para trabalho, porque ninguém paga conta com carinho e amor, mas seria aceitável eu aceitar um relacionamento ou uma amizade que só funciona um lado?

    Pois é. Doeu aqui também.

    E eu estou exausta. Porque uma parte minha entende o quão absurdo é você aceitar uma situação que só funciona de um lado, porém, ao mesmo tempo, parece ok você escolher ter pouco do que não ter, seja o que for.

    Acho bizarro que, por um tempo, meu cabo conector só funcionou de um lado porque eu não tinha conseguido arrumar para funcionar os dois, e eu fiquei buscando coisas e martelando para arrumar o outro, justamente por sentir que ouvir música só com um lado da caixa era escolher perder uma gama de sensações e instrumentos. 

    Não deveria ser aceitável. Questionável, plausível, normal. O tanto de pessoas que aceitam uma relação com essa base é enorme, e quem nunca, né? Quem nunca escolheu algo pela metade, porém seguro, por mexer menos com as coisas e por nos mantermos, de certo modo, estáveis? Eu não sei, sabe. Hoje eu sinto que existe uma lista enorme de coisas que eu nunca mais vou viver, que algumas coisas serão o meu máximo, mesmo sendo muito poucas no geral.

    E também não sei se tem algo que eu possa fazer sobre isso, ou se eu quero fazer algo sobre isso. Ou se vou querer algum dia.

    Mas hoje eu joguei o fone fora.




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