segunda-feira, 11 de julho de 2022

Sobre coisas que eu nunca soube de verdade

    Às vezes eu me pego pensando na rotação estranha das coisas e na rotatividade de pessoas. Não sei se é a geração, não sei se é regra e eu só fingia que ela não existia, não sei se sou eu que mudei, que me tornei mais seletiva com as coisas e não entro mais em qualquer guerra. Sendo que pode ser tudo junto também, né, no mesmo pacote. 

    Nunca vou esquecer quando eu li que, depois de uma certa idade, escolhemos melhor nossas batalhas. Lembro da sensação de que eu simplesmente encarava todas as batalhas porque fazia bem para o meu ego dizer que eu estava presente em todo aquele banho de sangue emocional. É assustador o quanto a gente cresce quando percebe que nem tudo vale o nosso esforço, o nosso suor. É incrível também a sensação de conseguir se colocar em primeiro lugar nas situações que, todo mundo sabe, ninguém faria diferente.

    Não é ser egoísta. É se permitir.

    Observando minha mão eu reparei e lembrei de guerras que eu não deveria ter entrado. Do quanto fez mais mal do que bem, das coisas que eu perdi, dos traumas que eu ganhei. Lembrei do quanto de mim foi perdido e da sensação frequente de que nada disso que desceu pelo ralo vai nascer de novo em algum momento. Eu entendo a rotatividade das coisas, das pessoas. Eu entendo que nada é permanente e que sempre definimos tudo como se fosse.

    Eu entendo que essa sou eu de hoje - e de uns meses atrás.

    Essa semana me peguei pensando se existe alguma cura para essa sensação de que eu ando sendo pela metade. E, sinceramente, eu não sei se existe a cura para a sensação, mas existe a cura de deixar de ser pela metade.

    Aos poucos. De leve. Sem correr.

    A vida é só essa e, sinceramente, a pressa é de quê mesmo?



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