quinta-feira, 14 de julho de 2022

Sobre a lista de problemas de adulto que ninguém sabe

Quando eu era pequena, ninguém nunca me preparou para essas coisas, sabe. A frase "adulto tem que se virar" é muito vaga quando você acha que pessoas de 30 anos são velhas e não entende sobre rendimento financeiro. É como se você lesse vários livros sobre aquilo e assistisse várias palestras dando dicas de como não se tornar uma criança grande completamente perdida nas obrigações e nos assuntos que se tornam cada vez mais recorrentes. Tipo valor de compra.

Precisamos ensinar nossas crianças sobre o que é valor de compra.

Fora essa coisa de ambição, né. A maioria dos pequenos humanos sonham com uma lista quase infinita de coisas, sejam sonhos profissionais, pessoais ou até vontades baseadas no "Porque parece legal". Mas aí a gente cresce e nada tá bom nunca. Porque salário podia ser maior, a casa podia ter mais quartos, o carro podia ter mais potência. Porque a carreira é boa, só já não trás aquele tesao como trazia antes; as relações são legais, mas meio mornas; os dias passam devagar, mas a semana voa.

A gente não ensina as crianças que ser adulto é solitário. Ou pelo menos tem sido, nesse momento, pra mim.

Eu passei o dia tentando lembrar da última vez que me senti bem. Não no sentido de estar tudo 100%, porque eu sei que isso não existe, mas me sentir plena mesmo com as coisas desordenadas, e eu não me lembro.

Eu não me lembro de estar em um momento em que as coisas estão bem e eu também, justamente porque eu estou sempre buscando algo que eu não sei o que é, para preencher algo que não sei onde fica. Já cheguei a questionar se era falta de um romance que me quebrasse as pernas, e não é, porque eu não posso reclamar disso. Aí eu passei pela minha vida profissional que, por mais que eu nao me imagine fazendo pelo resto da vida, nao me trás mais sentimentos negativos e eu sinto que eu faço direito o que eu faço hoje. Aí eu vejo minha vida social, que sempre andou no meu ritmo e foi algo que eu nunca reclamei.

Então, o que falta? Será que me falta? 

Uma parte em mim tem uma inveja gigantesca dessas pessoas que se sentem bem fazendo as mesmas coisas por 30 anos, mas eu entro na questão de que talvez não seja algo feito com prazer por todos esses anos, então será que adianta? 

Alguns dias, como hoje, a gente aceita as coisas, toma um banho e espera o sono chegar.




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