segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Carta aberta, eu só não sei muito bem para quem

    Bom, não sei muito bem por onde começar. E reparei que a grande maioria dos meu parágrafos começam com a letra E.

    Enfim.

    Fiquei lembrando da situação que eu estava um ano atrás e como eu não achei que as coisas poderiam chegar onde chegaram hoje. Aquele pensamento comum de quem não sente o tempo passar mas se assusta com cabelos brancos, a falta de dinheiro, os surtos de verdade. Convenhamos, os meus nem foram tantos. Acho que aqueles surtos de adulto foram mais comuns, sabe, quando somos afundados pela sensação que o tempo já passou e só sobra isso aqui que eu estou vivendo agora.

    Como se só sobrasse isso aqui de mim.

    Talvez só sobre mesmo. E não é muito, mas é o máximo. É o que dá. É o que eu consigo fazer no meio de uma lista de crises de choro e de uma sensação de pertencer a lugar nenhum. E eu não aguento mais, sabe, não pertencer a nada nem ninguém, nem à mim mesma. Eu não aguento mais ficar me agarrando em lugares pequenos por sentir que não vou ter nada, caso eu solte. Eu não aguento mais me contentar com raspas e ficar criando teorias sobre sinais que ninguém tem coragem de esclarecer.

    Eu não aguento mais ser uma opção. Eu quero ser uma escolha. E é dolorido para mim sentir, e perceber, que eu sempre fui só uma opção. 

    Hoje a lesão na coluna me mostrou que eu preciso parar de fugir disso tudo que tem acontecido aqui dentro, eu só não tenho muito mais o que fazer e me preparo para a opção de que algumas coisas não fazem muita diferença na equação final e, não importa o quanto a gente queira, ou não importa o quanto eu queira, me sinto sozinha.

    Eu nem sei mais o que é não sentir isso, já que ultimamente eu tenho sentido muito. E sentido tudo, somando com os últimos anos também. E não importa o quanto eu já não quis mais, ou o tanto de vezes que eu tentei não sentir mais. 

    Algumas coisas continuam aqui. 

*


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