Sonhei que me pediam para fazer um samba. Não fazia muito sentido, mas me ofereceram um contrato dizendo que queriam uma música em samba para usar em alguma coisa, que eu não perguntei. Lembro que eu disse que eu nunca fiz um samba mas que eu poderia tentar, e que respondia com certeza até o dia seguinte, aí a pessoa me soltou um "mas você falou que era profisisonal" entre risos e em tom leve, como se já tivéssemos falado sobre profissionalismo nesse mundo, e eu disse "mas eu sou mesmo! Eu só nunca fiz um samba. Não quer dizer que eu não consiga, só que dizer que eu nunca fiz". No sonho mesmo, eu criei uns acordes, umas rimas e acordei meio confusa.
Eu realmente nunca fiz um samba. E não é surpresa nenhuma eu afirmar com todas as letras que eu faria um por você.
Fiquei me perguntando o porquê de nunca ter feito, só que é inevitável que eu não cresci nesse mundo. Eu não cresci acostumada com acordes mais elaborados ou ansiando pelo novo álbum da Maria Rita, e também não vou mentir falando que samba é meu estilo de fuga, porque não é. Samba é o que eu ouço quando eu me sinto bem. É aquilo que me faz lembrar leveza, presença, vida.
Também é inevitável dizer o quanto eu não me sinto viva. E hoje eu não consigo fazer mais que isso.
Sinto uma falta gigantesca de mim mesma, de ter esperança, de lutar pelas coisas. Quero tanto pedir desculpas por não saber ler entrelinhas e não entender direito as coisas quando o silêncio reina, mas ainda assim lembrar de todas as coisas que eu quero tanto a tantos anos. E, ao mesmo tempo, me sinto socando ponta de faca em coisas que já deveria aceitar os sinais e parar de achar que a minha sensação tem razão.
Não faz diferença ela ter razão. Não faz diferença eu te fazer um samba.
Mas que eu faria, eu faria.
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