Vira e mexe isso vira uma questão, e nem sempre é sobre coisas novas ou situações inesperadas. Nunca é sobre pessoas recém chegadas, histórias mal escritas, pontas abertas. Bom, talvez seja sobre pontas abertas e uma tentativa interminável de seguir em frente sem querer mudar nenhum padrão. Algo em mim queria, mais do que tudo, conseguir só colocar essa mochila na gaveta do "Perdoo? Não, mas é o que tem" e aceitar que eu tenho uma régua altíssima para qualquer tipo de relação.
Porém, né, não é assim que a banda toca.
Venho questionando muito os meus padrões, principalmente as minhas amizades, e a forma que tudo isso acontece, ou não. A forma com que eu sempre me coloco a disposição, sempre me pré disponho a lembrar das coisas, das pessoas; da forma que eu anseio pelo mínimo, e o quanto isso é absurdo. Fora uma lista enorme de situações que eu perdoei uma pessoa em específico, mais do que uma vez, justamente por preencher um vazio de uma forma que ninguém nunca preencheu. E, sinceramente, ela não preencheu vazios.
Ela preencheu gatilhos. E ativou todos eles, mais de uma vez. Talvez por isso eu me senti tão viva. A adrenalina, né. Aquela sensação de não saber se aquele sumiço era só uma louça sendo lavada ou se eu já tinha atingido a minha cota de atenção da semana. Eram tantas migalhas que eu praticamente fazia "pru" quando eu batia o dedinho no pé da mesa da cozinha.
Pior é que eu estava ok com isso. Por um tempo, até a página dois.
Dessa situação para cá eu fiquei reparando e pesando sobre a minha lista de coisas bem legais e de como eu sou, sem nem tentar, alguém totalmente fora da curva (adoro essa expressão, aliás). Porque eu faço questão, eu insisto, eu tento. Ou fazia questão, insistia, tentava.
Esse ano tem me trazido uma surpresa de Tróia todo mês e parece que as energias estão apostando em qual mês eu vou passar férias numa clínica fechada - ou na cadeia.
Até que ponto vale essa tentativa incansável de perdoar alguém que não se importava? Até que ponto as noites mal dormidas não são apenas reflexos do meu ego que não sabe aceitar que todo mundo erra?
Eu não sei, sabe. Eu não sei como aceitar que a minha cura virá de uma possível tendinite no pulso, muito ho'oponopono e litros de suor escorrendo pelo rosto. Eu não sei aceitar que não faz diferença eu ser uma pessoa fora da casinha (também adoro essa expressão), a vida vai continuar virando o balde quando eu estiver com a roupa do baile e eu ainda vou ter que aceitar que as pessoas erram - e que para eu viver e me tornar alguém melhor, eu preciso me permitir errar também.
Amo a permissão da mediocridade, mas não muda o fato de que esse contrato eu não consigo assinar.
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