Tenho engolido uma série teen fora de época de uns 2 meses para cá - talvez menos, talvez mais . Não sei. Perdi a noção. - e tudo começa comigo tentando entender o motivo do sucesso, do formato, da ideia. Aquele episódio piloto que você consegue entender a febre, sabe. Que você mastiga os episódios com farinha e que a sua parte artista queria muito ter tido uma ideia parecida, mas na época eu só tinha 19. Não vou mentir falando que dava tempo de escrever um roteiro sendo que eu nem sabia que eu me apaixonaria tanto por roteiros.
Continuando.
Percebi que tenho a tendência a defender casais de longa data.
Acabei de me lembrar de As Pontes de Madison e o quanto eu torci para que uma nova história fosse contada, e agora eu estou aqui vibrando quando uma ex adolescente se aproxima muito daquele ex namorado sonso do ensino médio, mesmo eu sabendo que ele é sonso. Que momento da minha vida eu comecei a torcer pelos amores de longa data? Eu nunca nem sequer acreditei em um amor romântico para a vida toda, só que também não consigo mentir dizendo que eu tenho muitos amores para encontrar por aí porque tem uma grande coisa em mim dizendo que eu já atingi a minha cota, sejam eles românticos ou não.
Mas, assim, dos românticos eu já entreguei a peteca mesmo.
Em algum lugar por aí eu ouvi a pergunta sobre a cota de felicidade. Aquela do "será que eu já atingi a minha cota de felicidade?" e eu queria muito conseguir bater o martelo defendendo que não faz o menor sentido existir um pote com uma tampa frouxa pendurado por uma linha de costura no meio de um furação, e que toda essa felicidade não vai ser recriada depois que esse pote desabar ou essa tampa cair. Nada prova nada disso. Mas será mesmo que eu já não atingi a minha cota?
Acredito que felicidade seja sempre associado à uma ideia romântica, e só. Como se realização só viesse da fonte da flecha do cupido e que a gente só tá existindo nesse mundo bagunçado, cheio de buracos preenchidos com vários tipos de grandeza, inclusive algumas bem pequenas. Amor-próprio virou aquela lenda urbana usada por pessoas solteiras e cansadas dessa jogatina sem graça e morrendo de medo do amor romântico aparecer em forma de carinho, saudade e cuidado. Autocrítica?
Baco diz "Quero uma paixão de estragos, daquela que fingimos não querer". Ai, Baco, todo mundo quer, mas, meu amigo, sair desse buraco depois é tão trabalhoso, tão solitário. Nem tudo é preguiça, entende? Às vezes é trauma mesmo, amor. E você está certíssimo de falar em voz alta, em plenos pulmões, que você quer isso e que você sabe o que você quer e também sabe que todo mundo é covarde de mais para assumir que também quer. E a gente quer mesmo.
Mas aquele quase casalzinho ali, sabe. Aquela cena, aquele cuidado, aquela presença ali.
Sei não...
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