domingo, 16 de fevereiro de 2025

Sobre o óbvio

    É bem doido como a gente cresce acreditando que o bagunçado é só uma falta, ali, de insistência, de presença, daquele momento de mão na consciência que você precisa falar "olha aqui, meu anjo". A bagunça vira o sim que alguém não consegue falar porque a vida tá acontecendo e fica difícil, sabe, você saber o que você quer no meio do caos que a vida trás. Tem uma palavra em inglês que eu gosto bastante, que é "Bullshit", que eu encontrei uma tradução legal aqui na minha cabeça: balela.

    O "sim" é sempre claro.

    Essa semana eu tenho pensado sobre isso e sobre o meu padrão de pessoas confusas. Sobre o quanto eu amadureci sobre isso e, ainda assim, me pego no meio de um redemoinho de padrões - aparentemente eu não saí disso o suficiente ainda. Nesse momento toca Creep - Radiohead, bem na parte que ele diz "Eu quero que você perceba quando eu não estou por perto", e eu consigo listar alguns nomes que eu gostaria muito que tivessem notado a minha ausência e que eu, na minha necessidade de aprovação e de ser escolhida, nomeei esse "não" com palavras mais bonitas.

    Fora que aqui podem entrar tantas outras coisas de tantas outras formas. Claro que ninguém é obrigado a escolher ninguém e o esperado é sempre a responsabilidade emocional - que ninguém tem - e coerência - que também anda em falta -, mas será mesmo que isso é um padrão se repetindo ou apenas pessoas sendo pessoas?

    Já ouvi de gente da área que tem muita gente bagunçada. Que não se conhece, que não sabe o que quer, que tem muito medo de virar outras ruas e viver outras histórias, e, ao mesmo tempo, eu me pergunto por que eu quero tanto mostrar minhas coleções para pessoas que não percebem quando eu não estou por perto e que o máximo da clareza é pontuar a confusão, sem planos para liberar 2h na semana para descobrir o nível de acidez do meu perfume.

    Bom, a gente já sabe, né.

    O "sim" é sempre claro.



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