Cometi o erro de fuçar no meu bloco de notas para tentar resgatar alguma rima muito bem escrita e recém abandonada. Além de não ter encontrado nenhuma, encontrei uma sensação que me trazia vida e textos que vazavam vontade de futuro.
Spoiler: não teve nenhum. Nem vida nem futuro.
E fiquei pensando, sabe, na forma que eu me encanto, e como eu nunca senti esse encanto de volta. Como eu sempre sou a pessoa que demonstra, mesmo inundada de medo, e como eu sempre me culpei. Eu não tenho culpa de sentir tanto nem das outras pessoas não saberem o que fazer com tudo isso. Eu não tenho culpa de acreditar, até não querendo, ou de querer, até quando eu finjo que não. Eu não tenho culpa de ainda ser importante a ponto da indiferença não ter lugar de fala.
Talvez ninguém tenha culpa. Talvez não faça diferença.
Nada disso muda o fato de que muitas coisas eu não sinto mais, e queria sentir. Queria me encantar, contar sobre esses meses, conhecer de verdade. Queria que fosse cumprido alguns planos comuns e que a decisão de enfrentar o medo fosse estável e não um surto de 5 minutos. Queria sentir cheiros de novo e dividir um chocolate sem cacau enquanto eu finjo que esse parágrafo foi super genérico e que essa experiência não foi individual.
Ou não sentir falta também resolvia muita coisa. Sem precisar ficar me reafirmando como uma pessoa com uma lista de coisas bem legais, que se conhece, se cura. Sem precisar ficar lembrando que eu tenho uma excelente estrutura óssea, além de uma inquestionável simetria facial.
Que desperdício minhas rimas. Acreditar é superestimado...
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